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terça-feira, 22 de outubro de 2013

O Flautista de Hamelin

Há muito, muitíssimo tempo, na próspera cidade de Hamelin, aconteceu algo muito estranho: uma manhã, quando seus gordos e satisfeitos habitantes saíram de suas casas, encontraram as ruas invadidas por milhares de ratos que iam devorando, insaciáveis, os grãos dos celeiros e a comida de suas bem providas despensas.
Ninguém conseguia imaginar a causa de tal invasão e, o que era pior, ninguém sabia o que fazer para acabar com tão inquietante praga.Por mais que tentassem exterminá-los, ou ao menos afugentá-los, parecia ao contrário que mais e mais ratos apareciam na cidade. Tal era a quantidade de ratos que, dia após dia, começaram a esvaziar as ruas e as casas, e até mesmo os gatos fugiram assustados.
Ante a gravidade da situação, os homens importantes da cidade, vendo perigar suas riquezas pela voracidade dos ratos, convocaram o conselho e disseram: Daremos cem moedas de ouro a quem nos livrar dos ratos.
Pouco depois se apresentou a eles um flautista taciturno, alto e desengonçado, a quem ninguém havia visto antes, e lhes disse: "A recompensa será minha. Esta noite não haverá um só rato em Hamelin".
Dito isso, começou a andar pelas ruas e, enquanto passeava, tocava com sua flauta uma melodia maravilhosa, que encantava aos ratos, que iam saindo de seus esconderijos e seguiam hipnotizados os passos do flautista que tocava incessantemente.
E assim ia caminhando e tocando, levou-os a um lugar muito distante, tanto que nem sequer se poderia ver as muralhas da cidade.

Por aquele lugar passava um caudaloso rio onde, ao tentar cruzar para seguir o flautista, todos os ratos morreram afogados.
Os hamelineses, ao se verem livres das vorazes tropas de ratos, respiraram aliviados. E, tranqüilos e satisfeitos, voltaram aos seus prósperos negócios e tão contente estavam que organizaram uma grande festa para celebrar o final feliz, comendo excelentes manjares e dançando até altas horas da noite.Na manhã seguinte, o flautista se apresentou ante o Conselho e reclamou aos importantes da cidade as cem moedas de ouro prometidas como recompensa. Porém esses, liberados de seu problema e cegos por sua avareza, reclamaram: “Saia de nossa cidade! Ou acaso acreditas que te pagaremos tanto ouro por tão pouca coisa como tocar a flauta?".
E, dito isso, os honrados homens do Conselho de Hamelin deram-lhe as costas dando grandes gargalhadas.
Furioso pela avareza e ingratidão dos hamelineses, o flautista, da mesma forma que fizera no dia anterior, tocou uma doce melodia uma e outra vez, insistentemente.
Porem esta vez não eram os ratos que o seguiam, e sim as crianças da cidade que, arrebatadas por aquele som maravilhoso, iam atrás dos passos do estranho músico. De mãos dadas e sorridentes, formavam uma grande fileira, surda aos pedidos e gritos de seus pais que, em vão, entre soluços de desespero, tentavam impedir que seguissem o flautista.
Nada conseguiram e o flautista os levou longe, muito longe, tão longe que ninguém poderia supor onde, e as crianças, como os ratos, nunca mais voltaram.
E na cidade só ficaram a seus opulentos habitantes e seus bem repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por suas sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.
E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.

Conto Folclórico Alemão de Meados de 1200, reescrito pelos Irmãos Grimm

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Rabo do Porquinho

O Rabo do Porquinho. - De Norman Ault

O grande urso é coberto por um casaco peludo.
E o casco da tartaruga mais parece um escudo
O boi tem dois chifres, é forte e também zangado;
O porquinho tem um rabo que o faz envergonhado.

Um dente de elefante, só em ouro avaliado,
E a lesma quando anda, deixa um rastro prateado;
Mesmo velho, o papagaio não deixa de praguejar;
Pobre porquinho! Só tem um rabo para abanar

O Leão, forte e bravo, pode rugir e roncar;
A vaca, de uma vez, muito leite pode dar;
O cãozinho monta guarda, latindo como ele só;
E o porquinho, coitado? Só tem um rabo com nó!

O macaco, muito alegre, faz a gente sempre rir,
Mas o rugido do tigre, não é para divertir;
A raposa, astuciosa, a todos enganar;
Só o porco, pobrezinho, tem um rabo para o ar.

Um mundo de animais aqui poderia trazer,

Da baleia ao camundongo, quanto teria a dizer!
Porém, do pobre porquinho, que vive sempre gordinho,
Só poderia Exaltar seu divertido rabinho.

Adaptação de H.P Vieira

Quando Lili Varre

Quando Lili Varre - de Nancy Byrd Turner

Vejam como está contente a Lili,
Varrendo, varrendo aqui e ali.

Anda na sala toda faceira,
Vai a vassoura como parceira.

Não sei como a Lili não se cansa,
Quando trabalha ela também dança.

É tão engraçado o seu bailado
Que deixa tudo bem arrumado:

Às vezes parece que está valsando,
Outras parece estar cumprimentando;

Demora um pouco em cada cantinho
E quando sai deixa tudo limpinho.

E ao final ao parar de dançar,
Pode-se ver, está tudo a brilhar.

É divertido para se ver, 
Quando Lili começa a varrer.

Tradução: Edvete Da Cruz Machado